terça-feira, 17 de outubro de 2017

Hoje....

Pintura naif d Ronaldo Mendes

Que tudo passe depressa para as trevas do esquecimento...  Mas um esquecimento planeado no sentido da renovação.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.

Miguel Torga, Pátria

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Que a música possa aliviar as dores desta vida ....

Zeus, senhor do Olimpo e das águas, nunca ouviu Mozart...
Caso sim, faria que começasse a chover a céu aberto.

domingo, 15 de outubro de 2017

Deixá-los falar, pensa ele (s).... Bom resto de domingo

Desenho de Afonso Cruz
Penso nos meninos do "coro" deste país ...
Uns vão à missa, outros nem tanto, e há os ateus, mas todos assobiam para o ar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Pensando Seia e as suas vigésimas Jornadas Históricas~~~~~"O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO"


E, já se caminha com amor e humor,  carinho e sabedoria, há 20 anos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pensando a nossa querida Republica ja longe de fantasmas. ..

VIRTUDE REPUBLICANA

Cícero (108 a.C. – 62 a.C), no seu Tratado da República, ensinou que um cidadão, para ser virtuoso, teria de cultivar “a justiça e a piedade, que deve ser grande para com os parentes e aderentes, maior ainda deve ser para com a pátria”, nível supremo que se exprimia como serviço (officium) e como preocupação (cultus) pela coisa pública, um género de pietas e de “caritas rei publicae” (Tito Lívio) que não podia ser confundido com a cupidez e com o propósito de se possuir, egoisticamente, o objeto amado. O que ajuda a explicar por que é que, para além da ideia territorial e circunscrita de “pátria” (a “terra dos pais”), a de “pátria comum” reivindicava, antes de tudo, uma justificação ético-cívica sobredeterminadora da Lei e do Direito. Daí que a virtude (virtus) republicana apontasse para um ideal que só estaria realizado quando, no indivíduo, se fundisse a teoria com a prática. Como lembrava o mesmo Cícero (e mais tarde, Maquiavel, com o seu conceito de virtù), não bastava ser “detentor da virtude”, como se “de uma técnica qualquer” se tratasse. É que ela “reside toda na aplicação”, ou melhor ainda, é a governação do Estado (civitas) e a execução, por ações, e não por palavras, “daqueles mesmos princípios que se murmuraram pelos cantos”. Destarte, um homem virtuoso por excelência nunca será o que se mantém “à margem de toda a atividade pública”, como se somente fosse um credor da sociedade, mas será aquele que, sentindo-se igualmente devedor, se mostra disponível para servir a pátria, tornando a cidadania sinónima de empenhamento nos negócios comuns.

Fernando Catroga, Ensaio Respublicano, 2011

domingo, 1 de outubro de 2017

Uma citação para o dia de hoje, 1º de outubro

"Se não encontrares o que esperas não encontrarás o inesperado ."
Heráclito
Andrew Wieth, pintura.(1917-2009)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bom fim de semana, quase em período de descanso e" reflexão"...

Há quem não tenha dúvidas. Só certezas. Nem que seja por estima e antiguidade na militância partidária. 
Há quem vote num lado a contragosto, só para que o outro , o ganhador, não fique em maioria....
Há os indecisos.... Os que votam em branco. E os que só vão à missa ou nem isso. 

Eu vou votar.


Norman Rockwell (1894-1978), pintura

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Tony Viccaro, fotógrafo de guerra e de imprensa

Belíssimo programa na RTP 2 . 
Este , o documentário que passou.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Portugal, tornou-se a "terra" dos encantos...

Norman Rockwell , Land of Enchantment


Eu abria um pouco os olhos e via a janela cheia de luar
E depois fechava os olhos outra vez, e em tudo isto era feliz



Álvaro de Campos, Ode Marítima

domingo, 24 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Em pleno equinócio....




David Hockney, no sei "iped", desenhou o Outono para nós.


Ninguém cheira melhor
                     nestes dias
do que a terra molhada: é outono.


                                    Eugénio de Andrade

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pensamento do dia . Autárquicas.


Twiggi, porque gosto e foi minha contemporânea, um pouco mais velha, mas cujas passadas segui nos cortes de cabelo.
Guardo há muito esta fotografia. Além de bonita, gosto da sua boca de espanto o que lhe acentua mais a expressão de olhar.

Uso-a como metáfora para a pena e alguma tristeza que sinto em relação a alguns concelhos cujas candidaturas me arrepiam e cujas diatribres são públicas outras mais camufladas....
Vivo no concelho de Cascais, tenho Oeiras aqui ao lado e gostaria de ir votar a Lisboa.

"sexygenário", hoje.

Parabéns.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Bom dia!"



O HOMEM DE ABRIL


Eis o homem de Abril.
Nasceu fraco e de pé.
Já fraco fez-se velho.
Fez-se velho a valer.

Sentou-se ao pé de um muro,
Atrás o sol nascia.
Uma rosa rompeu.
Era manhã. Bom dia!

De António Ramos Rosa, do livro Correspondência 1952-1978 entre Jorge de Sena e António Ramos Rosa

Pintura de Costa Pinheiro

terça-feira, 19 de setembro de 2017

"A praxe", nas palavras de João Quadros

A praxe não tem lugar na universidade. Por alguma razão não existe uma cadeira de luta de cães, uma oral em arrotos, ou uma Universidade Zezé Camarinha. A praxe nunca devia ter saído dos quartéis.

“O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado”; “não é um ser racional”; “não goza de qualquer direito”. As citações são retiradas de um “Manual de Sobrevivência do Caloiro” que está a ser distribuído, nos últimos dias, por alunos mais velhos aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Do blogue Estátua de Sal (continuar leitura)

Gostei muito. Verdades com humor.
Touro de Falaris, objecto de tortura entre 1500 e 1700


domingo, 17 de setembro de 2017

sábado, 16 de setembro de 2017

FIC. Cascais . Não fique em casa....apesar da ventania

Trabalho gráfico dMat Collishaw, 

Ontem foi noite de ouvir Rosa Montero e Lídia Jorge, no âmbito das conversa programadas pela FIC, na Casa das Histórias.
A energia de Rosa, contrastava com a leveza da voz de Lídia, ...
Comprei o 1º livro de Rosa Montero com uma dedicatória explosiva. Linda. "A Louca da Casa".
Enquanto esperava , abri aleatoriamente na página 103.
Mais um sinal...

«Amar apaixonadamente sem ser correspondido é como ir num barco e enjoar: sentes-te morrer mas provoca o riso dos outros,», disse-me uma vez com esmagadora lucidez o escritor Alejandro Gàndara. " 

Como diz Rosa Montero , este "libro é mentiroso y jogueton"....

Destino, liberdade

"Verdade,amor, razão, merecimento
Qualquer alma farão segura e forte,
Porém, fortuna, caso, tempo e sorte
Têm do confuso mundo o regimento"

Luís de Camões




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Olhar clínico ... São assim os grandes fotógrafos



"Quantos rostos se Vêem ali sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
E maior muitas vezes do que o perigo"

Camões

Fotografias de Artur Pastor, 1960

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Natália Correia, 94 anos e 2 dias .

"Tertúlia", Natália  Correia, Fernanda Botelho, Maria João Pires, de Nikias Skapinasakis, !974



"cremos que nesta Antologia se faz prova de um progressivo desanuviamento das repressões que compeliram o Instinto a desobturar-se nos esconsos do verbo fescenino, que se vai atenuando à medida   que o amor é assumido em todo o genuíno  pulsar da sua  essência global de espírito e de carne "

Natália Correia

Novembro de 1965

Excerto do prefácio , ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA

Abram as luzes, p.f.

Momentos há na vida que a escuridão assola de uma forma violenta e muito triste os neurónios dos afectos . 
Saudades das saudades e da convicção que eu tinha que o Sol estava onde eu quisesse. 
Aconteceu, e eu não esperava.


(Trabalho de Mat Collishaw, série Ludo. Projecto artístico em que apresenta a reinterpretação de um candelabro barroco)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

100 anos e um dia.... Violeta Parra




"Graças à la vida", por mais que o desejo fosse de enorme longevidade, existiu Violeta Parra, pintora, cantora e mulher de vanguarda , que não resistiu , quem sabe , às contrariedades da vida e dos amores...
Ontem faria 100 anos. Ontem fizeram 50 anos que decidiu deixar o mundo.

Ontem também gostaria de ter falado do Chile de Allende . De um amor de vida, Renato Pavel, refugiado chileno a viver entre nós, um braço de ajuda de Salvador Allende e que também tragicamente nos deixou em 1989/90 . Também pintava.
Das obras de Violeta , só procurei o nome do ultimo quadro."O Inocente".Apesar de ter mais de 50 anos vou adoptá-lo para lembrar o 11 de Setembro de 1973.
No CCB vão passar a filha e neta de VP. 
O ADN sempre a funcionar. 
Dia bom a quem passa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Pensamento para a semana . Que seja boa.













"Se tens um jardim e uma biblioteca tens tudo o que precisas."


                                        Marco Túlio Cícero 

















Vieira da Silva, Autoretrato

sábado, 9 de setembro de 2017

Sempre com vista de mar ...


Tempo de mudança.
Escolas e escolinhas abrem as portas. Criançada vai para outras lides .
 E ainda bem que o tempo vai mudar para as botas poderem calçar...
Mar à Vista muda a sua roupagem , mas sempre com vista de mar . 
Bom sábado.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Hoje dou-te um verso.... bom fim de semana

Gravura do séc. XVIII, água forte.



(adeus palavras, sonhos de beleza,
montanhas desoladas da infância
        donde tudo se via: a alegria
e a cegueira do que se não via:)

Manuel António Pina, Farewell Happy Fields

(excerto)

Olhares.... (desta , para o passarinho...)

De tudo me lembro, menos do fotógrafo .
Sei que por aí num canto de qualquer álbum tenho fotografia(s) tirada(s) em cima do cavalinho de pasta de papel.
Era assim nas praias de Portugal, neste caso Figueira da Foz, mas hoje em dia eles continuam a surgir de forma revivalista.
Também  era bonita a cidade no principio e meados do séc. XX . A nossa Biarritz  portuguesa que o mau gosto que assolou a cidade fez questão de destruir. 
Há vestigios.

(foto surripiada a Fernando Curado , via FB, um divulgador da Figueira da Foz antiga)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Entre férias e pós férias. Leituras matinais.

Lugar às férias…
Nem é preciso rever a filmografia de Jacques Tati para nos divertirmos com o paradoxo das férias de Verão. É ver tantos portugueses direitos às zonas mais congestionadas do Algarve, frequentando praias cheias, engarrafamentos, discotecas iguais às de Lisboa ou do Porto e acotovelando-se com as mesmas pessoas que encontram no resto do ano.

Por alguma razão os monarcas lusos eram senhores do reino de Portugal e dos Algarves. Para quem queira uns dias diferentes, o Parque Nacional da Peneda Gerês tem muito para oferecer. Não há praia mas há cascatas, trilhos de montanha, piscinas naturais e uma paisagem que, apesar de tudo, não diverge muito da descrita por Miguel Torga nos anos 20.


Não temos todos que ter os mesmos gostos mas, para quem se sinta tentado pelo Gerês, sugiro a Casa dos Bernardos, a meio caminho entre Santa Maria do Bouro e Terras do Bouro, onde mais facilmente ouviremos os chocalhos do gado que um telemóvel a tocar, até porque a cobertura de rede não é famosa.

… e à leitura

Falar de paisagens não desfiguradas pelas perversões do turismo de massas dá vontade de reler o “Guia de Portugal”, essa monumental obra em oito volumes, produzida entre 1924 e 1969, primeiro sob a direcção deRaul Proença e depois de Sant’anna Dionísio.


Em 1995 no Expresso editámos o nosso próprio Guia de Portugal de que alguns leitores ainda se recordarão. Não tinha a escala da obra em boa hora editada pela Fundação Gulbenkian (e agora também existente na versão ebook) que teve entre os seus colaboradores figuras da dimensão de Orlando Ribeiro, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e tantos outros.


Mas o Guia Expresso de Portugal foi, apesar de tudo, marcante e acrescentou à descrição de sítios e monumentos sugestões práticas de percursos rurais ou urbanos, a pé ou de viatura e mil e uma sugestões em matéria de gastronomia, alojamentos, artesanato, feiras e romarias, etc. Nasceu de uma conversa entre o então director do Expresso José António Saraiva e eu próprio. O resto da história sabem-na os leitores mais fiéis.


Durante estas três semanas de férias reli pela enésima vez um dos meus livros favoritos, escrito por um outro Raul, neste caso Raul Brandão: “Os Pescadores”.


Não me canso da descrição da velha Foz do Douro, da ida dos poveiros para a faina ou dos pescadores algarvios que não tinham medo de nada, menos das bruxas. E eram as suas mulheres que, alta noite, os levavam ao barco, esconjurando à força de archotes medos ancestrais capazes de bloquear homens que não receavam ventos do Levante e ondas de cinco metros. Um livro existente em múltiplas edições de bolso e a preços simpáticos.



Excerto de crónica de Rui Cardoso, editor , no Expresso Curto de hoje.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

São pernas, senhores....*

As pernas são as nossas "rodas", isto é, os instrumentos que nos transportam à volta ao mundo. Consequentemente, o simbolismo que lhe está associado é a velocidade.

*(que já viveram melhores dias.... ou nunca ouviram falar no síndrome das pernas inquietas?)

Pintura de Giacomo Balla, 1912